São Leopoldo cresceu sobre terraços fluviais e encostas da Formação Serra Geral, mas o adensamento urbano das últimas três décadas empurrou loteamentos para áreas de baixada com espessos pacotes sedimentares do Rio dos Sinos. Quem projeta fundações ou avalia liquefação nesses terrenos sabe que a NBR 16202 exige a velocidade média de ondas de cisalhamento nos primeiros 30 metros, e não há estimativa indireta que substitua um perfil MASW bem executado. Em zonas de aterro hidráulico na margem direita do Sinos ou sobre solos coluvionares saturados, a resposta dinâmica do subsolo muda radicalmente em poucas dezenas de metros, e o ensaio CPT muitas vezes revela camadas intermediárias que o MASW depois confirma com valores de Vs abaixo de 180 m/s. A demanda por classificação sísmica local cresceu com as revisões da NBR 15421, e a prefeitura passou a condicionar alvarás de construção acima de oito pavimentos à apresentação do VS30 quando o terreno está sobre depósitos quaternários.
Um perfil de VS30 abaixo de 200 m/s em solo mole do Sinos muda o espectro de projeto sísmico e pode inviabilizar soluções de fundação superficial sem melhoramento prévio.


