Quem trabalha com fundações na região metropolitana de Porto Alegre sabe que o perfil de solo de São Leopoldo engana. A cidade está assentada sobre uma planície aluvial do Rio dos Sinos, com camadas extensas de areias finas saturadas que, sob solicitação sísmica, perdem resistência rapidamente. O fenômeno da liquefação de solos não é abstração acadêmica aqui: os depósitos quaternários que margeiam a BR-116, em profundidades entre 3 e 12 metros, apresentam granulometria uniforme e nível d'água elevado — condições clássicas para ruptura por excesso de poropressão. O ensaio SPT executado com registro de golpes a cada metro permite identificar as camadas críticas e serve de base para a análise de liquefação conforme os ábacos de Seed & Idriss, adaptados à sismicidade da Bacia do Paraná pela NBR 15492.
Em solos aluviais saturados com NSPT abaixo de 10, o fator de segurança contra liquefação pode cair para menos de 1,0 com aceleração de pico de apenas 0,04g — condição presente em São Leopoldo.



